Para aproveitar o melhor da Provence!

18 de maio, 2015
provence por Bruno Agostini

Os maiores prazeres da Provence são muito simples: visitar feiras e mercados, sentir os aromas das frutas, apreciar o lilás dos campos de lavanda e o amarelo dos de girassol, beber uma taça de vinho rosé, comer “pissaladière”, andar de bicicleta, caminhar pelas montanhas… Enfim, ver a vida passar, alegre, colorida e perfumada. Estar ali já é um luxo. As cidades de Arles, Avignon e Aix-en-Provence formam um triângulo, construindo um eixo básico para se explorar o local, unindo sua simplicidade típica aos grandes luxos universais, como restaurantes com estrelas Michelin, hotéis exclusivos e muitas outras delícias.
Arles é a porta de entrada para a região de Camargue, um santuário natural às margens do Mar Mediterrâneo, onde observação de pássaros e turismo religioso se misturam a um valioso conjunto arquitetônico e a uma rica tradição culinária — são famosos o sal, o arroz, o azeite e a carne de búfalo dali. Trata-se de um pórtico clássico, com colunas suntuosas, anfiteatro e coliseu, monumentos do tempo do Império Romano — mas a cidade não deixa de lado o caráter regional, em forma de casinhas de pedra com paredes coloridas e desbotadas, enfeitadas por vasos de flores. À beira do mítico Rio Rhône, está em posição estratégica para se explorar boa parte da Provence, com fácil acesso a Avignon e Aix-en-Provence, os outros dois destinos desse roteiro triangular, e também ao Luberon e ao Vaucluse, as montanhas que melhor traduzem o espírito da região.
Com tamanha oferta de ótima matéria-prima gastronômica de alta qualidade, é natural que Arles tenha se convertido em um dos principais redutos de bons restaurantes na Provence, lugar escolhido pelo chef Jean-Luc Rabanel para exibir o seu talento. São pelo menos três endereços, todos no coração histórico da cidade: o L’Atelier, dono de duas estrelas Michelin; o À Côté, mais simples, um bistrô de comida boa e o Iode, especializado em mariscos e crustáceos, que também serve receitas orientais, como sashimis e sushis, além de ter uma escola de cozinha e uma loja. Boa comida, fresca e com intervenções criativas, podemos encontrar em todas as casas, mas bom mesmo é pedir o menu “Emotions”, com 13 etapas, no qual o cozinheiro mostra que ninguém conquista as almejadas estrelas à toa.
O mesmo vale para o chef Jérôme Laurent, que comanda o restaurante Le Cilantro, entre o Teatro Romano e o Anfiteatro, dono de uma étoile do guia francês. Os cardápios mudam semanalmente, sempre privilegiando os ingredientes regionais e sazonais, mas sem abrir mão de preciosidades “estrangeiras”, como um bom foie gras do Périgord.
Para passar uma noite digna de imperador romano, o L’Hôtel Particulier equilibra as características arquitetônicas e o mobiliário típicos da Provence com modernidade e conforto — e essa fórmula garante que o lugar seja uma figurinha fácil em revistas de decoração. Os quartos são amplos e arejados, com predominância do branco. O SPA está entre os melhores da Provence, e o restaurante apresenta um menu tentador, com ênfase nos produtos mais frescos da região.
Para os que pretendem explorar as delícias do Luberon, conjunto de cidadezinhas charmosas encarapitadas nas montanhas, como Gordes, Cavaillon, Apt e Ménerbes, Avignon está localizada estrategicamente, a menos de meia hora de carro — são apenas 20 quilômetros até Cavaillon. Praticamente a mesma distância separa Avignon de Carpentras, no Vaucluse, do imponente Mont Ventoux, e de Châteauneuf-du-Pape, de onde saem alguns dos melhores e mais famosos vinhos da Provence, na denominação de origem controlada do mesmo nome.
No La Mirande, ligado à associação The Leading Hotels of the World, podemos encontrar uma das melhores cartas de vinhos de toda a Provence, um complemento perfeito ao menu excepcional, criado pelo chef Frédéric Duca, que trabalha em sintonia com o ótimo sommelier David Ripetti, que tem especial apreço por vinícolas biodinâmicas. A carta privilegia os rótulos franceses, mas o menu usa e abusa dos melhores ingredientes da Europa, com embutidos ibéricos e peixes britânicos, por exemplo. O receituário da casa reserva surpresas, como o carpaccio de chorizo Joselito (a marca mais famosa da Espanha) servido com lulas e funcho marinados e os imensos camarões de Madagascar ou o crème brûlée de pistache com compota de cerejas e sorbet de queijo branco.

Fotos: Bruno Agostini